Barra de vídeo

Loading...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Acertando na Mosca









Finalmente, paz em Kosovo. Enquanto os refugiados preparam-se para voltar para suas casas, Milosevic e a Otan disputam agora o título de vencedor da guerra, como se tudo não tivesse passado de uma partida de futebol. Ninguém marcou gol nesse combate insano, não há o que comemorar, mas uma lição foi deixada pelo episódio: os estragos que a falta de mira pode provocar.



Na guerra do dia-a-dia não é diferente: pontaria é fundamental. Você anda desmotivado, acha que a vida está sem emoção e que na sua casa ninguém lhe entende. Sai pra noite, então, e cruza com uns caras que fazem pega de moto, picham muros, depredam orelhões e parecem divertir-se muito com isso. Une-se ao grupo. Erro fatal: você acaba de se aliar ao inimigo.



Você está em busca de emprego, você e toda a torcida do Flamengo. Por um desses milagres da vida, surgem duas oportunidades de trabalho. Uma é um estágio dentro do campo que você quer atuar no futuro. É para trabalhar ao lado de bons profissionais, mas ganhando apenas uma ajuda de custo. Vai ter que ralar. A outra proposta é para ganhar três salários com carteira assinada, mas num ramo que não lhe oferece a menor chance de crescimento profissional, um lugar onde você será uma peça na engrenagem, facilmente substituível. Pense bem: só tem uma bala na agulha.



Você está mais carente que noiva abandonada no altar. Sozinha a um ano e meio, anda fazendo cafuné em pantufa. Aí surge ele, o cara que fala pelos cotovelos sobre o próprio carro, o próprio time, as próprias aventuras amorosas, o próprio umbigo. Não é o seu tipo, mas é o que pintou. Pega carona no ego dele ou fica mais um tempo sozinha?



Boa pontaria faz toda a diferença. Às vezes um alvo está mais perto que outro e isso parece facilitar as coisas, às vezes uma pessoa parece legal mas é camuflagem, às vezes alguém se move em nossa direção e, antes de ouví-lo, o abatemos. Viver é lutar um pouquinho a cada dia pela nossa felicidade. Ninguém sai ileso dessa briga, mas fere-se menos quem tem bom faro, noções de diplomacia e, principalmente, sabedoria para distingüir a hora de atacar e a hora de se defender.



Marta Medeiros

A Voz Do Silêncio





Pior do que a voz que cala,

é um silêncio que fala.



Simples, rápido! E quanta força!



Imediatamente me veio à cabeça situações

em que o silêncio me disse verdades terríveis,

pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.

Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.



Silêncios que falam sobre desinteresse,

esquecimento, recusas.



Quantas coisas são ditas na quietude,

depois de uma discussão.

O perdão não vem, nem um beijo,

nem uma gargalhada

para acabar com o clima de tensão.



Só ele permanece imutável,

o silêncio, a ante-sala do fim.



É mil vezes preferível uma voz que diga coisas

que a gente não quer ouvir,

pois ao menos as palavras que são ditas

indicam uma tentativa de entendimento.



Cordas vocais em funcionamento

articulam argumentos,

expõem suas queixas, jogam limpo.

Já o silêncio arquiteta planos

que não são compartilhados.

Quando nada é dito, nada fica combinado.



Quantas vezes, numa discussão histérica,

ouvimos um dos dois gritar:

"Diz alguma coisa, mas não fica

aí parado me olhando!"



É o silêncio de um, mandando más notícias

para o desespero do outro.



É claro que há muitas situações

em que o silêncio é bem-vindo.

Para um cara que trabalha

com uma britadeira na rua,

o silêncio é um bálsamo.

Para a professora de uma creche,

o silêncio é um presente.

Para os seguranças de um show de rock,

o silêncio é um sonho.



Mesmo no amor,

quando a relação é sólida e madura,

o silêncio a dois não incomoda,

pois é o silêncio da paz.



O único silêncio que perturba,

é aquele que fala.



E fala alto.



É quando ninguém bate à nossa porta,

não há emails na caixa de entrada

não há recados na secretária eletrônica

e mesmo assim, você entende a mensagem.



Marta Medeiros

Reflexões – Parte 2





Eu passei a adolescência e a juventude sob o regime da ditadura e isso significou, entre outras coisas, a censura. Não havia liberdade de expressão naquela época. Jornais e revistas tinham trechos cortados, diversos filmes não puderam ser exibidos por um longo período e alguns livros não podiam ser vendidos livremente. Tudo em nome da segurança nacional. Para quem estava no poder durante a ditadura, pensar de modo diferente colocava em risco o modelo de sociedade que eles idealizavam.



Aliás, a liberdade de expressão foi um dos componentes da liberdade que foi suprimida. A liberdade estava comprometida como um todo. E por falar nisso, o que é liberdade?



Esse é um conceito difícil de definir já que, como foi e é muito influenciado por ideologias e interesses dos mais diversos, está bastante distorcido. Em uma pesquisa feita com jovens, o conceito de liberdade para eles é bem simples: fazer o que quer, quando e como quer. Dá para perceber como essa noção, para eles, está influenciada pela ideologia do individualismo.



Para Hannah Arendt, esse conceito restrito de liberdade (de ir e vir e de agir conforme a própria vontade, por exemplo) surge quando o sujeito perde a liberdade no espaço público, ou seja, perde o contato com seus pares e o livre debate de idéias com base no pensamento plural e em um ambiente público organizado. Para essa pensadora, o conceito de liberdade tem, portanto, um caráter essencialmente político.



Eu me lembro de que um amigo da juventude teve de sair do país porque aqui era perseguido por suas ideias. De vez em quando ele retornava por curtos períodos e tínhamos a oportunidade de conversar. Minha maior curiosidade era a de saber da experiência dele de viver em um país em que os livros – sem restrição - estavam todos disponíveis. Nunca me esqueço da resposta que ele me deu. Ele disse que no país em que vivia na época a situação era muito pior porque as pessoas não queriam ler muitos dos livros aqui proibidos porque estavam convencidas de que não valia a pena, ou seja, o pensamento estava massificado.



Algumas vezes penso que o mundo contemporâneo, que nos contempla com tanta diversidade em todos os campos – estilos de vida, correntes de pensamento, comportamento, ciências etc. - retirou de muitos de nós o pensamento crítico e, portanto, a liberdade de pensar e de agir.



Vejamos alguns exemplos. Atualmente temos todo tipo de calçados e roupas e em todos os tamanhos, mas a maioria se veste de modo muito semelhante e, pelo menos as mulheres, querem usar apenas os manequins 38 ou 40. Temos uma diversidade enorme de maneira de ser, mas todos querem ser iguais: no comportamento, na aparência do corpo, nas preferências, no ritmo do pensar, entre outras coisas. Temos lugar para todo tipo de gente, mas acreditamos que precisamos ser extrovertidos, alegres, jovens e ter uma imensa rede social de “amigos”. E por aí vai... O que buscamos? Ausência de conflitos, anular as diferenças, aceitação social...



Liberdade de expressão combina sempre com conflitos de ideias. E nada mais salutar para o crescimento do que travar contato com pensamentos diversos. Hoje não temos quase (quase!) censura institucional talvez porque a tenhamos internalizado. Estamos submetidos a pensamentos quase (quase!) totalitários.



Já observaram como é comum a postura de, ao travar contato com livros, textos, análises etc., concluir que concordamos ou não concordamos? Essa talvez seja a melhor garantia de nada mudar. Quando concordamos é sinal de que já pensávamos assim; quando discordamos, recusamos o diálogo e o conflito que poderia – quem sabe? – inaugurar outros pensamentos diferentes dos dois anteriores.



Este blog teve, em sua origem, uma intenção: a de estimular o livre debate, o diálogo e o embate de ideias a respeito da educação informal e formal neste mundo tão complexo. Mas isso ficou bem difícil, não é verdade?



Ate logo mais e bom início de semana a todos.



Escrito por Rosely Sayão às 18h05

As escolas já não são mais o templo sagrado do saber





A Folha publicou ontem, no caderno Cotidiano, uma reportagem que mostra o que acontece na quadra de uma escola estadual aqui de São Paulo localizada na Av. Indianópolis, na zona Sul. O local é usado como ponto de prostituição, principalmente por travestis. O link para a reportagem é http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0606201009.htm



Escrevi um texto, publicado na mesma reportagem com o título acima, refletindo a respeito do fato. Segue o texto.





"A escola já foi considerada um local sagrado e, portanto, reverenciado, estimado, cuidado e respeitado por todos. Uma de suas denominações, inclusive, era "Templo do Saber". Atualmente, elas são o retrato colorido de nossa sociedade, um espelho do estilo de vida urbana que temos levado e do tipo de relação que estabelecemos com os mais novos.



Assim sendo, a escola não é um local inviolável. A criminalidade e a violência, o descaso com o patrimônio público -bem de todos-, o caos das relações interpessoais de um mundo individualista e simétrico, a competitividade levada ao seu grau mais extremado, a grosseria, o desrespeito às leis que nos protegem, o tráfico de drogas e o consumismo -também de sexo- são algumas das características de nossa sociedade.



Tais características se tornam, assim, elementos presentes no ambiente escolar, já que os muros que o cercam não são impermeáveis.



Não se iluda, caro leitor: as imagens do que ocorre no entorno da escola estadual Professor Alberto Levy, na zona sul de São Paulo, não mostram um fenômeno exatamente localizado. De modo mais ou menos estridente, esse é o espírito da sociedade que ajudamos a construir e que ronda nossas escolas e, por consequência, nossas crianças e jovens.



Não há dúvida alguma de que a Secretaria Estadual da Educação, a polícia, a própria unidade escolar e seus trabalhadores, o bairro do entorno, as famílias dos alunos etc. deveriam ter sua quota de responsabilidade nessa questão.



No entanto, na mesma medida -vamos reconhecer- todos eles têm também sua parcela de impotência frente a fenômenos desse tipo.



Fazer o quê? Ou, melhor dizendo: o que fizemos e fazemos para que o mundo adulto escancare dessa maneira, sem quaisquer pudores, suas mazelas também aos mais novos?



O pior de tudo é que nós já temos muitas respostas para dar a essa pergunta."







Escrito por Rosely Sayão às 13h12 [(132) 


Como é bom voltar para casa

Gente passei uns dias com meu blog desativado, foi terrível, espero tê-lo reativado, valeu !!!!

sábado, 11 de junho de 2011

Feliz dia dos namoridos

Gente, ter um namorido, é tudo... pena que pra chegar até aqui passamos por tantas e tantas, mas a vida é feita disso, luta, batalha, quedas, perdas e ganhos, conquistas... muito crescimento e o amadurecimento que se faz necessário à vida....
Feliz dia dos namoridos a todos e todas

sábado, 21 de maio de 2011

Saudades

Desde que assumi o cargo de Técnico Educacional , que estou quase sem tempo de me dedicar ao blog; mas aqui estou, mesmo rápido mas muito presente.
Quero que saibam que estou com muita vontade de escrever mais o tempo é muito curto, mas sabem que eu não desisto nunca de nada e sempre dou um jeito,
Bjs e até breve